
Em tardes assim,
Onde o silêncio se mistura
Com o quotidiano,
Encontro-te a andar dentro de mim.
Se a barulhenta vida me impede de escutar os teus passos,
São em silêncios assim
Que te descubro viva,
Desafiando a minha resistência,
Surpreende-me ainda tua presença.
Já tecia o tempo com fios da tua ausência
Reescrevendo em lembranças vagas,
Da nossa história,
Do nosso descobrimento.
Em tardes assim,
Onde o silêncio cala profundamente,
Olhando absorto em pensamentos,
Noto que em mim,
Ainda ficaram resquícios de ti.
Fecho os olhos e vêem-me os sentidos
Apurados na escuridão do enleio,
E sinto o bater do teu coração
Ao pousar a minha mão sobre o desavisado seio.
Na face o rubor de uma menina,
Nos lábios uma procura faminta,
De um homem.
Cravo os dentes na boca
E sinto sangue e saliva,
O último meio desesperado
De retorno à vida.

